TRANSFUSÃO
·
“Otimizando o Tratamento do Paciente Crítico” (Moderador : H. Corwin), abordando
a importância das transfusões no paciente crítico. Foram discutidas
as indicações e complicações das transfusões, bem como os inconvenientes
do armazenamento de derivados sanguíneos. Foram apresentados trabalhos
que comparam pacientes anêmicos e tratados agressivamente com transfusão,
com melhor sobrevida no grupo não submetido ao procedimento. Também
se discutiu a influência da anemia no desmame da VM. Foram abordadas
as possíveis alternativas para as transfusões sanguíneas, como Auto
transfusão e reaproveitamento de sangue no intra operatório,
que além de caros, ainda não apresentam resultados satisfatórios. A
eritropoietina
surge como alternativa interessante
(em insuficiência renal, pré operatório de
cirurgia cardíaca, quimioterapia, pacientes em uso de AZT – situações
onde a eritropoietina já foi liberada pelo
FDA). Há estudos em andamento quanto à utilização em UTI.
VASOPRESSINA
o
Vasopressina no Tratamento
do Choque Séptico (J. Lang)
A vasopressina,
sintetizada em núcleos do hipotálamo e armazenada na glândula pituitária,
é liberada em situações como hipovolemia,
hipotensão e aumento da osmolaridade plasmática.
Gera vasodilatação no pulmão, contração
da musculatura lisa (diminuição do débito cardíaco com aumento da resistência
vascular sistêmica) e aumento da reabsorção renal, mantendo a taxa de
filtração glomerular. Seu efeito é o aumento
da pressão arterial (PA). Embora os níveis de vasopressina
aumentem em situações de diminuição da PA, no Choque Séptico isso não
ocorre. Vários são os mecanismos propostos, como depleção das reservas por exemplo. Há estudos que demonstram que, nessa situação,
a administração de vasopressina provoca aumento
da PA, do IRVS e do fluxo urinário, com diminuição não significativa
do débito cardíaco, com aparente benefício da perfusão orgânica. A administração
recomendada é de no máximo 0,04 Unidades/minuto.
São aguardados estudos mais consistentes sobre o impacto de sua utilização.
TGI
o
Hipoperfusão do TGI
e Alteração da Mucosa
(M. Spirt)
A hipoperfusão
do TGI leva a uma condição que foi denominada “Stress-Related
Mucosal Disease”,
diferente das úlceras de stress, sendo um processo mais difuso. A hipoperfusão
do TGI parece ocupar lugar central no desenvolvimento de IMOS. Assim
sendo, a monitorização de sua perfusão, como por
exemplo por Tonometria Gástrica, e
a terapêutica voltada à manutenção da perfusão adequada e proteção da
mucosa devem ter impacto no tratamento do doente crítico.
DOPAMINA
- MANUTENÇÃO DE DIURESE
o
Valor da Dopamina em Baixas
Doses para Manutenção da Perfusão Renal (A .
May)
Mais uma
vez foram demonstrados consistentes dados de literatura que indicam
não haver evidência para utilizar essa droga com objetivo de prevenir
e/ou tratar a insuficiência renal aguda.
MONITORIZAÇÃO
- AVANÇOS
·
Monitorização Cardiovascular : “User’s Guide” (Moderadores: S. Heard e
M. Singer)
·
Termodiluição
e Doppler
Transesofágico (M. Singer)
Foram discutidos os métodos de
termodiluição por bolus de solução
fria e contínuo por aquecimento, com ênfase para suas
limitações; também foi citado que poucos estudos mostram benefícios
muito evidentes com sua utilização. Discutiu-se também a técnica, aplicações,
vantagens e desvantagens do Doppler transesofágico,
e sua boa correlação com o método anterior.
·
CO2 Contínuo
e Análise da Onda de Pulso (S. Heard)
Foram apresentadas
a teoria e primeiros resultados dessas técnicas, bastante desanimadores
até o momento.
·
“Near Infrared
Spectroscopy” (B. Soller)
A Dra.
Soller demonstrou que o método, baseado na , permite avaliar o O2
tecidual, sendo um método promissor danálise da luz
refletida pelos tecidose monitorização
da microcirculação. Sua utilização deverá
ser possível pois demonstrou-se correlação
entre alterações do PH muscular e de vísceras em alterações hemodinâmicas.
·
“NADPH Fluorescence”(C. Ince)
Em situações de disóxia tecidual, há acúmulo de NADPH devido às alterações
mitocondriais. Monitorizar a presença do mesmo nos tecidos,
como por exemplo por espectrometria, pode ser
um interessante método de monitorizar o metabolismo celular.
·
Videomicroscopia “in vivo”
(D. Debaker)
Método que permite visibilização da microcirculação
(arteríolas, capilares e vênulas), com avaliação
de seu estado e do resultado das intervenções.
·
Monitorização metabólica
(L. Gentiello)
Apresentação de técnicas experimentais,
como monitorização dos citocromos e uso de Ressonência
Magnética para avaliar o fósforo envolvido nos processos metabólicos.
IMOS
Numa esperada sessão, o Dr. J.L. Vincent abordou o tema “IMOS : o que aprendemos?”,
onde revisou os vários mecanismos envolvidos na sepse,
inclusive os novos mediadores – HMGB-1, MIF, etc. Chamou atenção para
o fato que a sepse é uma resposta provavelmante
extremamente necessária e importante para o organismo, não estando ainda
claro qual o ponto a partir do qual ela se torna deletérea,
e muito menos quais os fatores envolvidos nessa “mudança de estágio”.
SEPSE-
DEFINIÇÕES - PIRO
Em seguida, o Dr. M. Levy apresentou a sessão “Revisão das Definições sobre
Sepse :
Resultados da Conferência Internacional”. Apesar das definições estabelecidas
em consenso, demonstrou-se que 36 % dos envolvidos nos debates discordam
das definições, e que em 81% das vezes há confusão quando se tenta classificar
um paciente dentro das definições estabelecidas. Assim sendo, em 2001
houve uma conferência envolvendo SCCM, ESICM, ACCP e ATS, para revisão
do tema. Como resultado, não foram feitas modificações nas definições,
pois concluiu-se que o problema não está nelas,
mas na heterogeneidade dos pacientes, levando à dificuldade de classificá-lo
corretamente. Dessa forma, introduziu-se o sistema PIRO para auxiliar
na avaliação. ”P” de predisposição, onde são levados em consideração
os fatores genéticos, as doenças pré-existentes e os hábitos que influenciam
a saúde. “I” de insulto, que pode ser um trauma, isquemia, infecção,
agressão por endotoxina, etc. “R” de resposta,
como manifestação de marcadores genéticos, mediadores específicos, presença
de choque, etc. (exemplificando, a SIRS é um exemplo de resposta). “O”
de “organ failure”,
onde se especificam as falências orgânicas. Para facilitar a compreensão,
basta lembrar do sistema TNM em Oncologia. É uma classificação que permite
compreender o estágio da doença e estabelecer terapêuticas específicas
para cada estágio. Ao longo do tempo, espera-se que o
sistema PIRO seja desenvolvido e aperfeiçoado nesse sentido.
PRESSÃO
DE PERFUSÃO CEREBRAL E PIC
Uma das atividades foi o interessante
debate “Pressão de Perfusão Cerebral > 70 é adequada no tratamento
do TCE ? Prós e Contras”, moderada pelo Dr.
M Diringer. O Dr. A. Valadka,
no discurso “pró”, fez uma revisão da fisiopatologia envolvida, chamando
atenção para a autorregulação da Pressão de
Perfusão Cerebral (PPC), que fica comprometida no TCE. Tendo como base
o fato de que a PPC = PAM (pressão arterial média) – PIC (pressão intra
craniana), demonstrou vários trabalhos que tinham como alvo a
manutenção da PPC > 70, com medidas para manutenção da PAM e controle
da PIC. Os resultados demonstravam maior sobrevida e menores seqüelas
neurológicas quando esse “end point” era atingido.
Por outro lado, o Dr. G. Manley apresentou
trabalhos onde o alvo era a manutenção do Fluxo Sanguíneo Cerebral (FSC),
avaliado pela Saturação Venosa Jugular de O2,
com intervenções nela baseadas, bem como medidas de controle da PIC,
mas sem objetivo primário de manter PPC > 70. Nessa modalidade, observou-se
menor ocorrência de isquemia cerebral (lesão secundária), porém sem
impacto significativo na mortalidade e presença de seqüelas – sem conclusão
se realmente de fato, ou por falta de poder estatístico dos estudos.
De qualquer forma, parece ser útil o fato de que a terapêutica deve
ser guiada por ambos os parâmetros.