A UTI desde sua formação e, apesar do grande avanço tecnológico, impõe circunstâncias e isolamento do paciente. O futuro e o presente obrigatoriamente abrem novos desafios neste sentido. O que é a nova UTI ? Sabemos que não se trata da tecnológica, da equipada, do perfil exclusivo mecânico e automático. A ciência evoluiu para o ser humano, mudou o prognóstico, aliviou sintomas e proporcionou além do tratamento a morte digna. 

Discutir o futuro é dimensionar o presente e reavaliar qual UTI fazemos e queremos fazer. Não vejo nas Unidades Semi-Intensivas esta solução, pois na análise individual, em geral não benificia o paciente. O Homecare é destinado a grupos específicos, pacientes conscientes, e sem riscos momentâneos, o que implica em parcela  pequena.

São vários os caminhos da nova UTI, porém todos estarão norteados na humanização do paciente, da família e da equipe. Ainda na conceituação da humanização, como entendê-la ? Muitos critérios são pessoais, das próprias vivências e conceitos onde ética, educação, religião e conhecimento técnico são interligados. 

Editorial 6 / 2004

A NOVA UTI

Douglas Ferrari

Não há modelo rígido, e este é o diferencial. Não vejo que haja UTI do passado, do presente e do futuro, se o critério é cuidar, atender e ajudar o semelhante em momento de gravidade e angústia, todas em seu tempo fizeram a melhor UTI: a do presente.

Fiz várias revisões de UTIs passadas antes da década de 50 e encontrei exemplos que superam muitas Unidades do ano 2000. O que mudou? Mudou a tecnologia, o antibiótico, a máquina, mas e a equipe ? Muitas com certeza também puderam mudar, mas francamente não assisti a proporcionalidade. Este é o novo desafio, entender que UTI não é máquina, e nada irá substituir a análise clínica e a presença. Portanto o regaste da equipe com melhores condições de trabalho, participação em processo educacional,  inserção na equipe multiprofissional e resgate da importância da pessoa que atende e será atendida.