VIVEMOS OS MALES DA ESCRAVIDÃO - HOJE A SERVIDÃO

" Por nossa raça, sofremos e avançamos além da nossa consciência"

(Df -  Negro por Opção)

13 de Maio - O início sem fim.

Música Liberdade : TVSOBRATI-ESCRAVIDAO

Quando criança tinha um grande amigo que era de família humilde e da raça negra. Estudava comigo na Escola Pública, fomos grandes amigos de 7 a 12 anos de idade, seu nome é Alcides. Minha mãe professora, meu pai então vereador da cidade de Santo André. Eu tinha uma vida social agitada e sempre era convidado a frequentar casa de amigos e suas festas, porém como uma condição das mães: Não levar o Alcides. Então minha decisão sempre foi, não ir. Uma mãe de um amigo de Escola, que já não simpatizava com aspectos políticos do meu pai, disse-me: Você é o amigo daquele "negrinho", num ar de condenação e indignação. Felizmente tive uma mãe professora e acima da ética, levou-me a frequentar a igreja, sempre católica em virtude das suas origens italianas e lá tive o privilégio de conhecer bons padres e senhores moralmente éticos e de conduta inabalável. A mãe do Alcides era maravilhosa, tratava-me como filho, todavia não gostava da igreja que apoiou, segunda ela,  a escravidão dos seus pais e avós - Alcides não podia ir a igreja comigo. As diferenças sociais foram aumentando e o próprio amigo e irmãozinho Alcides decidiu seguir seu rumo, fato contribuido por minha mudança em um prédio classe alta, assim faziam e fazem muitas  famílias quando ascende socialmente . Nesta época, adolescente, comecei a frequentar o Tênis Clube de Santo André, local onde a classe "diferenciada" frequentava o clube para jogar tênis, nadar, dançar e fazer com que seus filhos mantivesse o convívio social. Novamente deparei-me com o mesmo problema, pois o Clube não permitia a entrada de pessoas da raça negra. Um dia, na piscina, conheci dois irmãos, um adolescente e uma adolescente, estavam sós, eram negros e estavam ao meu lado de forma constrangida. Já sabia do problema do Clube. Como já havia passado por isso, decidi conversar com os mesmos e descobri que eram filhos do Dr. Hélio, um dos maiores pediatras de Santo André, rico e que tinha grande influência - fato que levou o clube "abrir exceção". Fizemos amizade e, novamente, os problemas começaram. Passaram-se mais de 40 anos e hoje orgulho-me de não ter me contaminado pelo preconceito, pela ignorância e arrogância, graças a minha igreja e mãe professora exemplar. Pessoas que se julgam melhores que as outras, seja pela cor ou pela profissão ou pela origem ou nacionalidade. Com certeza fui abençoado por tudo o que Deus me permitiu conquistar como pessoa e valores, sobretudo através do respeito ao Ser Humano e abominar qualquer forma de ação antiética e preconceituosa, preservar os preceitos morais e contribuir para uma sociedade mais justa , livre e democrática. Finalizando a história, até hoje o Alcides sente-se envergonhado - a sociedade conseguiu que se auto-condenasse, hoje é segurança ( profissão nobre, porém o Brasil perdeu um grande talento e inteligência ) e não se sente confortável em ter um amigo médico ( arquétipo social provocado )e trazer-me desagrados em virtude da sua cor. Como irmão, não o esqueço, e tenho profundo carinho e admiração por ele ( com 8 anos ele já falava inglês fluentemente e fazia cálculos matemáticos como ninguém ).  Abraços aos meus amiguinhos de infância e à todos que sofrem preconceitos, pois nesse mundo e, sobretudo no Brasil, há mais de séculos reina  a maldade, a ignorância e a perversidade de pessoas moralmente mal formadas, de fortes desvios éticos e vítimas de ambos os lados, inclusive da história. Dr. DF