Assista a videoconferência  >>

Infecção hospitalar em UTI no Brasil é 15% maior que a média global - Site MedicinaIntensiva - 2011

Conseguir leito em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é uma dificuldade enfrentada por boa parte dos brasileiros que dependem do atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mais do que a carência de vagas, a falta de estrutura e de equipamentos, além da preparação nem sempre adequada dos profissionais de saúde, torna os hospitais ambientes propícios para contrair ainda mais problemas do que quando se deu a entrada na unidade de saúde. De acordo com o médico intensivista Eliézer Silva, gerente médico do departamento de pacientes graves do Hospital Albert Einstein de São Paulo, as taxas de mortalidade por sepse – um forte processo infeccioso – em UTIs no país são preocupantes e dão ao Brasil o triste título de um dos países que mais matam por esse motivo: cerca de 45% dos óbitos registrados nas UTIs brasileiras têm essa causa, enquanto a média em outros países não chega a 30%.

Segundo informações do Ministério da Saúde, a sepse chega a matar cerca de 18 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Há dois tipos da infecção: a comunitária, contraída fora do hospital e que não tem forma de prevenção; e a hospitalar, uma complicação da internação – por isso, mais perigosa, por conta da força da bactéria e do estado já debilitado do infectado. “Há pacientes que são internados por um motivo qualquer e adquirem uma pneumonia dentro do hospital. Esses têm chance menor de sobreviver porque a bactéria causadora da infecção, quando no hospital, é mais grave. De outro lado, esses pacientes da UTI já estão mais debilitados. Somam-se os fatores e eles têm chance maior de evoluir para óbito”, explica Eliézer Silva.

Apesar de a maioria das mortes por sepse ocorrer nas UTIs, os leitos de terapia intensiva não são o único local do hospital em que a infecção pode ser contraída, de acordo com Flávia Ribeiro Machado, presidente do Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas). A médica afirma que o despreparo de médicos e demais profissionais de saúde para reconhecer a enfermidade – que exige tratamento rápido, em até seis horas – leva à complicação dos casos. “Há atraso no reconhecimento (da sepse) não só nas UTIs. A maior parte dos pacientes a desenvolve em outros locais. Entram pelo pronto-socorro e existe atraso no diagnóstico. O mesmo ocorre nas enfermarias”, explica.

O despreparo dos médicos para identificar a evolução da infecção foi visto de perto por Djan Moreno, de 23 anos, que perdeu uma tia no início do ano passado após três meses de internação no Hospital Regional do Gama. A dona de casa Vera Lúcia Ribeiro, de 47, foi internada com dores no peito no fim de 2009. Com o tempo, dentro da unidade de saúde, ela desenvolveu uma outra doença, identificada como infecção urinária, e seu quadro piorou a partir de então.

“Os médicos não sabiam mais em qual setor do hospital colocá-la. Não sabiam se ela tinha que ir para a cardiologia, por causa das dores no peito e do marca-passo, ou para a ginecologia, pela infecção”, explica Djan, lembrando que houve dificuldade também para conseguir um leito de UTI para a tia. Depois que o quadro de saúde da dona de casa piorou drasticamente, funcionários conseguiram uma vaga improvisada com os aparelhos de tratamento intensivo. No entanto, a senhora suportou mais dois dias e morreu, segundo o atestado de óbito, por falência múltipla dos órgãos provocada por infecção generalizada. “Até hoje, a gente não sabe o que ela teve, não havia um diagnóstico preciso e nunca nos esclareceram”, queixa-se Djan
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
10/07/2011 | 10h54 | Risco